domingo, 1 de setembro de 2013

the passing years will show

Confio em você.

Talvez sejam teus olhos, tão azuis quanto o céu diurno que me acalma, ou tua voz, meio rouca e o tom baixo com o qual você me fala. Pode ser porque sejamos parecidas, ou justamente por causa de nossas diferenças. Ai!, eu não sei o porquê, mas confio-me a ti. Não sei quantas vezes você disse que algo era tão estranho quanto eu e sorriu. Um elogio. Estranho é a atenção que me dá e o sentimento de indiferença que percebo ao mesmo tempo.

Há verdades a serem descobertas, eu sei bem onde estão escondidas e quero que me acompanhe, pois é você uma caçadora – andando atrás de borboletas e de amor, já vi – e eu apenas sou a navegadora, controlo o leme e brinco com a bússola, eu entendo de ventos e sei cozinhar. Vamos desenterrar corações em Pompéia, encontrar o peixinho Nemo e conhecer o seu Pequeno Príncipe!

Eu não consigo te entender, Céus!, e quem poderia? Mas, hey, as pessoas são loucas, o mundo é uma piada e nossos anos vão diminuindo a cada pôr do sol, chega de desenhar balões e flores em folhas de caderno e começar a adubar terra para um jardim e aprender física para construir nosso balão. Esqueça! Esqueça os números e os métodos, as regras e as exceções, que nos aventuremos em Pasárgada e lá andemos de bicicleta com Bandeira e o rei.

Quebrei o espelho do banheiro e lá estava eu, em pedaços, mil pedaços de mim espalhados pelo piso, irreparável, irreconhecível. Deixei de ser eu? Talvez, talvez... Joguei meus velhos pedaços no lixo e liguei para você:
 “Alô?”
“Olá! Dormiu bem?”
“Quem é?”
“Não sei”
“Letícia? Ah, sua idiota (risos)”
“É. Pode ser”
“Tudo bem?”
“Nã... Sim. Te ligo mais tarde, o rei tá me chamando.”
“Claro, diz pro Manuel que mandei um beijo!”

Por que te telefonei? Confio em você pois é tão estranha quanto eu.

Letícia Ribeiro