Confio
em você.
Talvez
sejam teus olhos, tão azuis quanto o céu diurno que me acalma, ou tua voz, meio
rouca e o tom baixo com o qual você me fala. Pode ser porque sejamos parecidas,
ou justamente por causa de nossas diferenças. Ai!, eu não sei o porquê, mas confio-me a ti.
Não sei quantas vezes você disse que algo era tão estranho quanto eu e sorriu.
Um elogio. Estranho é a atenção que me dá e o sentimento de indiferença que
percebo ao mesmo tempo.
Há
verdades a serem descobertas, eu sei bem onde estão escondidas e quero que me
acompanhe, pois é você uma caçadora – andando atrás de borboletas e de amor, já
vi – e eu apenas sou a navegadora, controlo o leme e brinco com a bússola, eu
entendo de ventos e sei cozinhar. Vamos desenterrar corações em Pompéia,
encontrar o peixinho Nemo e conhecer o seu Pequeno Príncipe!
Eu
não consigo te entender, Céus!, e quem poderia? Mas, hey, as pessoas são
loucas, o mundo é uma piada e nossos anos vão diminuindo a cada pôr do sol,
chega de desenhar balões e flores em folhas de caderno e começar a adubar
terra para um jardim e aprender física para construir nosso balão. Esqueça!
Esqueça os números e os métodos, as regras e as exceções, que nos aventuremos
em Pasárgada e lá andemos de bicicleta com Bandeira e o rei.
Quebrei
o espelho do banheiro e lá estava eu, em pedaços, mil pedaços de mim espalhados pelo
piso, irreparável, irreconhecível. Deixei de ser eu? Talvez, talvez... Joguei meus velhos
pedaços no lixo e liguei para você:
“Alô?”
“Olá! Dormiu bem?”
“Alô?”
“Olá! Dormiu bem?”
“Quem
é?”
“Não sei”
“Não sei”
“Letícia?
Ah, sua idiota (risos)”
“É. Pode ser”
“Tudo bem?”
“Nã... Sim. Te ligo mais tarde, o rei tá me chamando.”
“Claro, diz pro Manuel que mandei um beijo!”
Por que te telefonei? Confio em você pois é tão estranha quanto eu.
“É. Pode ser”
“Tudo bem?”
“Nã... Sim. Te ligo mais tarde, o rei tá me chamando.”
“Claro, diz pro Manuel que mandei um beijo!”
Por que te telefonei? Confio em você pois é tão estranha quanto eu.
Letícia Ribeiro