domingo, 23 de junho de 2013

Procurando dar um suspiro aliviado

          Não posso fechar os olhos porque ardem, não consigo mais falar, pois a garganta está estourada e sinto que em breve não poderei escrever - para minha desgraça completa - os dedos não se dobram com a antiga agilidade. E esta vida que não consigo viver... Terá a paciência de esperar-me, querida? Eu que a troquei pela morte. Meus pensamentos presos à outra enquanto fingia viver você. Que loucura, que loucura! Aceitar-me-á outra vez?

          Eu quero viver! Se pudesse até voaria pelo mar azul pálido sentindo a pureza do ar desmanchar os nós do cabelo, gargalhar à vontade, chorar de alegria. Tenho medo de ser apenas um desejo inalcançável, meu peito se oprime, pois ele sabe e também sei eu a verdade: estamos condenados. Sentir medo do desconhecido, dormir e não querer acordar pela manhã, querer silêncio quando o mundo berra, paz quando a guerra se aproxima, desesperar ao perceber que o mundo corre ao passo que só preciso sentar e ver os pássaros voarem. Quero não ser metrópole, quero ser árvore, quero ser flor que dança com o vento, brisa que beija a lua.



     Preciso de ar, por favor, deem-me espaço!



          Não me conte sobre as horas, quero ouvir histórias do passado e cuidar de um jardim, deixem-me ouvir Wagner, e organizar meus livroa, escrever prosa e rabiscar poesias, sentar e apenas namorar o mar... Roubam-me o tempo e tiram toda noite as esperanças que trago em mim e enegrecem meu mundo sonhado.

Letícia Ribeiro

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