quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

noite (1)

Teve cantoria no meu quarto, criaturas quiméricas se desgrudaram das paredes da minha razão e criaram vida própria, elas não me perturbam, apenas me tiram o sono, são partes que dissimulei e guardei; loucura, maldade, vileza… Me atormenta mais do que a sombra que não é minha, da sombra que está amarrada a meu pé, essa sombra que está comigo e que não me pertence. Fiz grades, isolei, afastei, implorei, chorei, tudo em vão, o que estava restrito em imaginações passou a ser real, acordando quando deito a cabeça no travesseiro e me fazendo feliz – nem sempre, na verdade, sempre me deixa mal. A princípio, gozei da idéia, me deliciei das madrugadas, nessa relação de pique esconde tinha algo novo; você. Esse amor é um malquerer que bem quero e desejo, mas, veja, está real por demais, no espelho encontro marcas de mãos e mordidas, meus braços, minhas pernas e costas doem do teu amor, com isso posso viver, todavia, acordar sozinha numa cama que foi bagunçada por dois acaba comigo.

Letícia Ribeiro

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