Meu ser sorri feito criança com doce nas mãos, meus olhos não conseguem disfarçar a alegria e minha mente para, deixando o caminho livre para que você entre e bagunce livremente o que demorei um bocado de tempo concertando. Agora você voltou, Clara, chamando-me de “meu bem”, sussurrando as belezas que eu desconhecia e teu cheiro povoa meu quarto novamente, não me lembro o porquê de termos nos separado. Por que razão terá sido?
Dentro de você sou só mais uma canção que serve para povoar o coração inquieto de calmaria, logo você cansa e parte rumo às batidas frenéticas do mundão; dentro de mim você é a poesia indecifrável e eterna amante de voz doce, dentro de mim, meu bem, você é um canto de Camões, faz-me chorar de morder os lábios e amar de doer o coração. Mas você pode voltar, Clara, que eu te aceito sem desconfiança, pois sei que sua viagem não é tão sem rumo, tu volta para mim.
Nosso silencio é pura saudade.
Nossa saudade é apenas tolice. Abraço inutilmente seu corpo sadio em busca de moldá-lo ao meu, você não gosta porque tem medo de querer ficar presa nessa brincadeira de braços e abraços. Eu entendo: passarinho é bicho livre que precisa voar para sobreviver. Contento-me em alimentar meu Passarinho com amor, por vezes meu estômago se contorce, precisa ser alimentado também, pois eu como apenas as suas migalhas, mas teimo e continuo o maltratando. Comendo migalhas.
Estamos na primavera, o ventinho brinca com teus cabelos loiros e me embebeda do cheiro das flores, sorrio com tranquilidade – são tempos felizes, penso -, o céu de nuvens parece recitar os pensamentos do teu coração, olho para o teu rosto e encontro lágrimas; é chegada a hora de partir, não é? Aperto tuas mãos, beijo os nós dos dedos, faço que estou bem... Pode ir, Clara, breve você retorna para dormir em cima dos meus anseios.
Letícia Ribeiro
Dentro de você sou só mais uma canção que serve para povoar o coração inquieto de calmaria, logo você cansa e parte rumo às batidas frenéticas do mundão; dentro de mim você é a poesia indecifrável e eterna amante de voz doce, dentro de mim, meu bem, você é um canto de Camões, faz-me chorar de morder os lábios e amar de doer o coração. Mas você pode voltar, Clara, que eu te aceito sem desconfiança, pois sei que sua viagem não é tão sem rumo, tu volta para mim.
Nosso silencio é pura saudade.
Nossa saudade é apenas tolice. Abraço inutilmente seu corpo sadio em busca de moldá-lo ao meu, você não gosta porque tem medo de querer ficar presa nessa brincadeira de braços e abraços. Eu entendo: passarinho é bicho livre que precisa voar para sobreviver. Contento-me em alimentar meu Passarinho com amor, por vezes meu estômago se contorce, precisa ser alimentado também, pois eu como apenas as suas migalhas, mas teimo e continuo o maltratando. Comendo migalhas.
Estamos na primavera, o ventinho brinca com teus cabelos loiros e me embebeda do cheiro das flores, sorrio com tranquilidade – são tempos felizes, penso -, o céu de nuvens parece recitar os pensamentos do teu coração, olho para o teu rosto e encontro lágrimas; é chegada a hora de partir, não é? Aperto tuas mãos, beijo os nós dos dedos, faço que estou bem... Pode ir, Clara, breve você retorna para dormir em cima dos meus anseios.
Letícia Ribeiro
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