Clara, tola!
Seu sorriso meloso e esses grandes olhos castanhos me perturbam. Durmo imaginando suas mãos e acordo ao som de sua voz, seus pés vagam por aí e você embala os quadris ao balanço do vento e se engata num rebolado. Clara, sacana. Espero ligações na escura madrugada, um toque da campainha e você na porta, adormeço sobre a esperança.
Clara, meu bem!
Clara, sua boca. Mordendo os lábios, vermelhos e molhados, assim me gritam os pecados, ah, Clara… As noites me engolem, não durmo nunca, sua sombra me tenta, me faz lembrar como foi antes, do que minhas noites eram feitas. Clara, a ladra. Sonho com você, quase tudo se encaixa, mas o galo canta (ou era o canto do rouxinol?) e acordo molhada.
Clara, sua descarada. Me diz “oi” como se não houvesse nada, sei que chamas percorrem pelo teu corpo e beijam sua pele clara, não tente negar nada, senão se engasga. Clara, ingrata. Distorce meu âmago com palavras gentis, a realidade te contradiz, eu tenho marcas, mas não são de todo ruins (eu amo seu jeito de amar).
Entendo você ter partido. Mas não perdoo sua maldade. Clara, a perversa. Foi embora sem dizer que não me ama mais e me agarro na possibilidade de você ainda querer voltar, agora remoo nossas conversas e imagino seus lábios roçando em outros, você não vai embora de vez, deixou pegadas no chão e o xampu no banheiro. Clara, sua safada. Encontrei fotografias suas dentro de algumas caixas. Isso não foi certo (ainda não o é). Mas eu amo até do gosto amargo do seu abandono.
Letícia Ribeiro
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