quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

prisioneiro


       Outro mundo…  Rox me criou um novo mundo, as paredes tinham o tom da sua pele e o cheiro da colônia dela impregnou meu ar, o chão onde eu pisava era feito por ela assim como as horas e os astros do céu eram controlados conforme seus desejos. Tudo aquilo pertencia a ela e eu, um simples consorte aventureiro… um passageiro atrevido – estive mais para um perdido.
       Aquela mulher vermelha abriu seus braços e me acolheu em seu seio, fez de mim seu novo brinquedo, apertou as mãos em volta da minha garganta, enroscou os dedos nas cordas vocais e transformou toda fala em sussurro. “Ainda é madrugada” Rox sempre falava “e ainda não estou cansada”. Era garbosa, isso afirmo, mas eu via o brilho daqueles olhos quando a luz do sol da manhã batia no seu rosto e os risos que soltava aparentemente sem motivo.
        Passadas três semanas pedia para morrer, mas a mulher vermelha me detinha para saciar seu prazer, estava fatigado, magro e desesperado. Roxanne não me concederia um pingo de bondade, sou um sujeito de brio, sabe, juntei minhas roupas e no amanhecer do 28º dia e corri chorando liberdade. 

Letícia Ribeiro

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