Aquela mulher vermelha abriu seus braços e me acolheu em seu seio, fez de mim seu novo brinquedo, apertou as mãos em volta da minha garganta, enroscou os dedos nas cordas vocais e transformou toda fala em sussurro. “Ainda é madrugada” Rox sempre falava “e ainda não estou cansada”. Era garbosa, isso afirmo, mas eu via o brilho daqueles olhos quando a luz do sol da manhã batia no seu rosto e os risos que soltava aparentemente sem motivo.
Passadas três semanas pedia para morrer, mas a mulher vermelha me detinha para saciar seu prazer, estava fatigado, magro e desesperado. Roxanne não me concederia um pingo de bondade, sou um sujeito de brio, sabe, juntei minhas roupas e no amanhecer do 28º dia e corri chorando liberdade.
Letícia Ribeiro
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