quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

amor?



O tilintar das sinetas da pulseira de Ellen soavam cada vez que levava a mão a ajeitar o cabelo, estes eram castanhos escuros e macios, o sol bronzeava sua pele e corava as maçãs do rosto, “eu tenho um plano” ela dizia.
 - Ah, sim? Conte-me – ela sorriu diante da minha pergunta, olhou para o longe e disse:
 - Ainda tenho que descobrir.
Assim era Ellen, sabia e não sabia, tinha planos e rotinas, assim sempre foi, tinha os lábios mais lindos que já vi, mas não sorria – não para mim – sua voz também já não é a mesma, as poucas palavras que me permite soam baixas e cansadas… Ah, Ellen, “quando ela fala parece que a voz da brisa se cala”, só que ela já não fala, só olha, apenas um olhar compungindo e a entendo, a menos penso que sim, e não é bom o que vejo, não é.
“Quando ela fala, quando ela fala…” Eu me calava e a escutava. Sabe de tudo essa Ellen! Um dia me atrevo, juro que sim, puxo ela num canto qualquer, arrasto para um morro, a tranco dentro de um quarto e pergunto:
 - E o amor, Ellen, onde está? “Está com ele” ouço sua voz responder.

Letícia Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário