Cheiro de primavera recém chegada. Esse ar de flor que se abre depois de um longo inverno quando acorda. Mas só em alguns dias da semana– quintas e sábado, em especial. Nessas manhãs eu acordo cedinho para poder beijar-lhe os olhos. Castanhos e grandes. Ela sorri então se levanta e anda até o banheiro. Quando volta, já não é a mesma mulher que havia acordado ao meu lado e me dera um sorriso sonolento.
Chego à conclusão: apaixono-me fácil, desapaixono-me rapidamente, mas não a deixo, pois certas manhãs ela me faz sentir o melhor sentimento que eu poderia conhecer. A paz de um céu azul e a tranqüilidade das nuvens, o toque de suas mãos como o sol das seis esquentando a pele, a maciez do cabelo entre minhas mãos – “deixa eu perder meus dedos nos teus cabelos”. Mas acaba.
Às vezes fico à porta do banheiro. Observando a água escorrendo pelo seu corpo, levando o suor noturno - para o ralo a essência que brota de sonhos! Ela pega a toalha e não me sorri. Veste-se apressada. Não toma café da manhã em casa. Corre para a cidade acinzentada, odor repugnante de fumaça e… Acabou-se. Ela não me pertence, não é mais inspiradora de poesia nem digna de observação. Faz parte da massa. Faz parte da população absoluta, pesquisas sociais, dados estatísticos, some em meio a tantos Joãos e Marias.
Amor que dura o tempo de uma rosa.
Breve… como uma brisa gostosa que beija o rosto ao fim de um dia ruim.
Aos sábados tomo-a para mim. Por um dia inteirinho – quando dou sorte, estendemos até o fim de domingo. Longe das buzinas, televisões, anúncios e desconhecidos. Então cheiro seus cabelos e sua pele… Exala sonho, essa mulher!
Ela é o éter que me arremessa para outro mundo. Seus olhos piscam “SAÍDA DE EMERGÊNCIA” e eu mergulho no que quer que seja feito esse mar que é amá-la.
Letícia Ribeiro
Chego à conclusão: apaixono-me fácil, desapaixono-me rapidamente, mas não a deixo, pois certas manhãs ela me faz sentir o melhor sentimento que eu poderia conhecer. A paz de um céu azul e a tranqüilidade das nuvens, o toque de suas mãos como o sol das seis esquentando a pele, a maciez do cabelo entre minhas mãos – “deixa eu perder meus dedos nos teus cabelos”. Mas acaba.
Às vezes fico à porta do banheiro. Observando a água escorrendo pelo seu corpo, levando o suor noturno - para o ralo a essência que brota de sonhos! Ela pega a toalha e não me sorri. Veste-se apressada. Não toma café da manhã em casa. Corre para a cidade acinzentada, odor repugnante de fumaça e… Acabou-se. Ela não me pertence, não é mais inspiradora de poesia nem digna de observação. Faz parte da massa. Faz parte da população absoluta, pesquisas sociais, dados estatísticos, some em meio a tantos Joãos e Marias.
Amor que dura o tempo de uma rosa.
Breve… como uma brisa gostosa que beija o rosto ao fim de um dia ruim.
Aos sábados tomo-a para mim. Por um dia inteirinho – quando dou sorte, estendemos até o fim de domingo. Longe das buzinas, televisões, anúncios e desconhecidos. Então cheiro seus cabelos e sua pele… Exala sonho, essa mulher!
Ela é o éter que me arremessa para outro mundo. Seus olhos piscam “SAÍDA DE EMERGÊNCIA” e eu mergulho no que quer que seja feito esse mar que é amá-la.
Letícia Ribeiro
QUE TEXTO, UAL!! belíssimo, parabéns.
ResponderExcluirMuito obrigada!!!
ExcluirAdorei o texto, Let, lindo mesmo!
ResponderExcluirmuito bom, na verdade perfeito...
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