- Você prefere vermelho vinho ou vermelho sangue?
- Para quê?
- A cor de batom…
- Sangue.
- Ok. E desliga o telefone. Qualquer cor ficaria boa naquela boca, ela só quis conversar comigo antes de nos encontrarmos, ouvir minha voz e assegurar-se de que tudo está indo bem. Chego perto da praça de alimentação e vejo-a parada em frente ao cinema, esperando por mim, quando me vê pisca um olho rapidamente e eu sorrio, pois ela está com a boca pintada de vermelho vinho, nunca tive tanta vontade de beijar alguém quanto neste instante, mas ela está há uns 20 passos longe de mim, então espero. Vem para perto e me cumprimenta com um abraço “Quer fazer o que hoje?”. Compro um maço de cigarro e saímos do shopping.
Caminhamos pelo estacionamento e ela quer saber como anda meu livro depois sorri e tira fotos (de mim, do céu, da rua, dos pássaros, das pessoas na rua…). Acendo um cigarro e sentamos no banco ela me olha e diz que o dia está lindo demais para eu enchê-lo com minha fumaça, dou mais um trago e ela bate uma foto, aproximo meu rosto do dela e sua boca se abre para deixar a fumaça entrar… Nossa neblina agora é mesma. Seu olhar é profundo e eu beijo seus lábios. Quentes. Ela está sorrindo e encosta a testa na minha respirando fundo, beija meu pescoço e agarra meus cabelos “Sempre quis fazer isso”, diz. Minha mão trilha suas pernas enquanto a outra desfaz cachos do cabelo, ela marca meu pescoço com seus lábios vermelhos sentindo minhas mãos apertarem os seios. Estou excitado demais, ela percebe e diz que devemos ir embora dali.
Levo-a para casa e ficamos a sós entre as paredes do meu quarto e seu corpo agora pertence a mim, os seios redondos e a pele morena arrepiada, minha língua correndo todo o corpo trêmulo e sedento de prazer, um corpo sob o meu clamando pelo meu sangue, querendo não só beijos e carícia, mas tapas e mordidas, pela dor do primeiro gozo e eu lhe dou tudo, extasiado pelo toque de suas mãos e sua boca levando-me ao êxtase. No vai e vem de e respiração ofegante ela geme baixinho e sussurra em meu ouvido sacanagens e declarações – ela sabe o que quero ouvir da sua voz e diz tudo sinceramente. Sinto suas unhas rasgando a pele das minhas costas e ela geme uma última vez no ápice de nossa transa, meu corpo esgotado cai sobre o seu, ela enfia os dedos nos meus cabelos e sorri dizendo “La petite mort.”. Morremos da feliz morte de Franz Liszt.
Vou à cozinha em busca de água e ao entrar no quarto a encontro ainda nua, apenas com os óculos no rosto, deitada na cama lendo o manuscrito do meu livro – bati uma foto no instante que ela mordeu os lábios. Não sorri e na boca há apenas rastros quase apagados do batom “Preciso ir embora. Quando você viaja?” Sinto que não há mais razão em ir embora, não tenho mais vontade de fugir, mas respondo “Amanhã à tarde. Eu te levo de volta”. No ponto do ônibus ela se ergue na ponta dos pés me beija uma última vez e vai embora.
Entrando no meu quarto, mais uma vez sozinho, dispo-me das roupas e ao entrar no banho me livro das manchas que ela deixou em meu corpo. Minha mala já pronta espera aos pés da cama e durmo com o cheiro dela nos lençóis, prevendo o caos que a vida me reserva.
Letícia Ribeiro
- Para quê?
- A cor de batom…
- Sangue.
- Ok. E desliga o telefone. Qualquer cor ficaria boa naquela boca, ela só quis conversar comigo antes de nos encontrarmos, ouvir minha voz e assegurar-se de que tudo está indo bem. Chego perto da praça de alimentação e vejo-a parada em frente ao cinema, esperando por mim, quando me vê pisca um olho rapidamente e eu sorrio, pois ela está com a boca pintada de vermelho vinho, nunca tive tanta vontade de beijar alguém quanto neste instante, mas ela está há uns 20 passos longe de mim, então espero. Vem para perto e me cumprimenta com um abraço “Quer fazer o que hoje?”. Compro um maço de cigarro e saímos do shopping.
Caminhamos pelo estacionamento e ela quer saber como anda meu livro depois sorri e tira fotos (de mim, do céu, da rua, dos pássaros, das pessoas na rua…). Acendo um cigarro e sentamos no banco ela me olha e diz que o dia está lindo demais para eu enchê-lo com minha fumaça, dou mais um trago e ela bate uma foto, aproximo meu rosto do dela e sua boca se abre para deixar a fumaça entrar… Nossa neblina agora é mesma. Seu olhar é profundo e eu beijo seus lábios. Quentes. Ela está sorrindo e encosta a testa na minha respirando fundo, beija meu pescoço e agarra meus cabelos “Sempre quis fazer isso”, diz. Minha mão trilha suas pernas enquanto a outra desfaz cachos do cabelo, ela marca meu pescoço com seus lábios vermelhos sentindo minhas mãos apertarem os seios. Estou excitado demais, ela percebe e diz que devemos ir embora dali.
Levo-a para casa e ficamos a sós entre as paredes do meu quarto e seu corpo agora pertence a mim, os seios redondos e a pele morena arrepiada, minha língua correndo todo o corpo trêmulo e sedento de prazer, um corpo sob o meu clamando pelo meu sangue, querendo não só beijos e carícia, mas tapas e mordidas, pela dor do primeiro gozo e eu lhe dou tudo, extasiado pelo toque de suas mãos e sua boca levando-me ao êxtase. No vai e vem de e respiração ofegante ela geme baixinho e sussurra em meu ouvido sacanagens e declarações – ela sabe o que quero ouvir da sua voz e diz tudo sinceramente. Sinto suas unhas rasgando a pele das minhas costas e ela geme uma última vez no ápice de nossa transa, meu corpo esgotado cai sobre o seu, ela enfia os dedos nos meus cabelos e sorri dizendo “La petite mort.”. Morremos da feliz morte de Franz Liszt.
Vou à cozinha em busca de água e ao entrar no quarto a encontro ainda nua, apenas com os óculos no rosto, deitada na cama lendo o manuscrito do meu livro – bati uma foto no instante que ela mordeu os lábios. Não sorri e na boca há apenas rastros quase apagados do batom “Preciso ir embora. Quando você viaja?” Sinto que não há mais razão em ir embora, não tenho mais vontade de fugir, mas respondo “Amanhã à tarde. Eu te levo de volta”. No ponto do ônibus ela se ergue na ponta dos pés me beija uma última vez e vai embora.
Entrando no meu quarto, mais uma vez sozinho, dispo-me das roupas e ao entrar no banho me livro das manchas que ela deixou em meu corpo. Minha mala já pronta espera aos pés da cama e durmo com o cheiro dela nos lençóis, prevendo o caos que a vida me reserva.
Letícia Ribeiro